Publicação de Mação



A participação da iDryas no Fórum de Museus, empresas e associações de Arqueologia (Mação, Outubro de 2014) consistiu numa reflexão acerca da Arqueologia de salvamento e gestão do património histórico-arqueológico em Portugal que agora chega à versão escrita

Na sequência da sua participação no 1º Fórum Museus, Empresas e Associações de Arqueologia: Dinâmicas e Problemáticas Sociais na Gestão da Arqueologia em Portugal, realizado em Mação no passado 18 de Novembro 2014, a Dryas produziu uma reflexão acerca da Arqueologia preventiva em Portugal, com base na experiência do sítio do “Poço dos Negros”, escavado no âmbito de uma intervenção de minimização de impactes patrimoniais do Parque de estacionamento do Anel Verde (Lagos, Portugal).
O artigo agora concluído, com o título “O caso do “Poço dos Negros” (Lagos): da urgência do betão ao conhecimento das práticas esclavagistas no Portugal Moderno a partir de uma escavação de Arqueologia Preventiva”, que deverá ser publicado em breve nas actas daquele congresso, é assinado por Maria João Neves, Miguel Almeida e Maria Teresa Ferreira.
Estando a presença de escravos africanos abundantemente documentada no registo historiográfico português, a sua representação no registo arqueológico era até 2009 muito pouco significativa. Nesse ano, a construção de um parque de estacionamento no Vale da Gafaria, em Lagos, constituiu uma oportunidade inestimável de documentação objectiva da presença de escravos africanos em Portugal.
Com efeito, a identificação de cerca de uma centena e meia indivíduos (adultos de ambos os sexos e não-adultos) depositados no seio duma lixeira urbana – o Poço dos Negros –, utilizada entre os sécs. XV e XVII, permitiu não só caracterizar o tratamento mortuário dado a estes indivíduos, como também o ambiente socio-económico e as condições e modos de vida a que os cativos estavam sujeitos, favorecendo a compreensão do papel dos escravos no seio da sociedade moderna portuguesa.
O salvamento arqueológico deste importante documento histórico resultou num acervo arqueológico e documental com um enorme potencial para a produção de conhecimento acerca da modernidade em Portugal, da História da expansão e do comércio de escravos. Porém, o processo de salvamento não foi isento de polémica.
Partindo do caso de estudo deste sítio verdadeiramente excepcional, apresentamos uma reflexão crítica acerca da gestão de sítios arqueológicos; da avaliação do seu valor patrimonial durante a execução de projectos de engenharia e da capacidade de explorar os vastos acervos documentais resultantes de operações de Arqueologia Preventiva e de emergência.



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