Publicação Antrope2/2015



O número dois (2015) da Revista "Antrope", recém publicado, integra um artigo de fundo da Dryas acerca das condições actuais da protecção e preservação do património histórico no contexto de operações de salvamento arqueológico.

Dirigida por Ana Cruz, a Antrope é uma revista online bilingue, de periodicidade semestral, editada pelo Centro de Pré-História do Instituto Politécnico de Tomar (Portugal) que visa criar um espaço de discussão interdisciplinar no âmbito da História e Arqueologia que neste seu segundo número de 2015 propôs uma reflexão sobre “As ramificações sociais e académicas da Arqueologia”.
O repto foi aceite por um conjunto diversificado de investigadores, associados a diversos sectores da Arqueologia portuguesa, resultando num volume relevante para a discussão actual deste tema, organizado em três temas:
- “Veículos didácticos da Arqueologia”;
- “Padronização jurídica da Arqueologia”; e
- “Diversidade na investigação arqueológica”.
O contributo da Dryas, materializado no artigo “O caso do ‘Poço dos negros’ (Lagos): da urgência do betão ao conhecimento das práticas esclavagistas no Portugal moderno a partir de uma escavação de Arqueologia preventiva”, assinado por Maria João Neves, Miguel Almeida e Maria Teresa Ferreira, parte de uma experiência concreta de intervenção num sítio arqueológico de importância primordial para a compreensão da modernidade portuguesa, o Valle da Gafaria / Poço dos Negros de Lagos — onde os trabalhos de minimização de impactes arqueológicos da construção de um parque de estacionamento resultaram na identificação de 158 indivíduos (adultos de ambos os sexos e não-adultos) depositados no seio duma lixeira urbana.

Com efeito, os trabalhos realizados no campo e subsequentes estudos laboratoriais, suportados pela Dryas e pelo Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, demonstraram estarmos em presença de uma população de escravos africanos cuja representação no registo arqueológico era antes muito escassa.

Ora, se a construção em 2009 de um parque de estacionamento no Vale da Gafaria em Lagos constituiu uma oportunidade inestimável de documentação da presença de escravos africanos em Portugal, permitindo caracterizar o tratamento mortuário dado a estes indivíduos, o ambiente sócio-económico e as condições e modos de vida a que os cativos estavam sujeitos e contribuir para a compreensão do papel dos escravos na sociedade moderna portuguesa, o decurso do projecto não foi isento de dificuldades, nem talvez a exploração subsequente do valor cultural e patrimonial produzido tenha sido próximo do ideal.

Assim, partindo deste caso de estudo verdadeiramente excepcional, o artigo Dryas apresenta uma reflexão crítica acerca da gestão de sítios arqueológicos; da avaliação do seu valor patrimonial durante a execução de projectos de engenharia e da capacidade de explorar os vastos acervos documentais resultantes de operações de Arqueologia preventiva e de emergência.




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