Participação na SAB 2013



A Dryas Octopetala estará presente no próximo Congresso da Sociedade Arqueológica Brasileira, com participação activa num simpósio dedicado à discussão sobre as condições de acesso e divulgação da informação sobre o património arqueológico.

A comunicação “Informação arqueológica: entre Cultura e Ciência; entre conhecimento e aplicabilidade; entre pesquisa e mercado”, proposta por Miguel Almeida (iDryas) foi aceite pela comissão científica do congresso da SAB, estando programada para integrar um simpósio coordenado por Solange Caldarelli (Scientia Consultoria Cientifica) a respeito das condições de acesso, disponibilização e divulgação da informação arqueológica e patrimonial.

Motivado pela publicação no Brasil de uma nova Lei de Acesso à Informação (Lei Br 12.527/2011), este simpósio visa aproveitar o ensejo para propor uma reflexão ampla sobre as repercussões das soluções possíveis desta questão complexa sobre sobre a pesquisa arqueológica, na base da constituição brasileira, que determina a universalização do acesso aos bens e serviços culturais, o fomento à produção, difusão e circulação de conhecimento e bens culturais e a transparência e compartilhamento das informações.

A presença da Dryas trará uma perspectiva de comparação com a(s) realidade(s) europeia(s).
Com efeito, de ambos os lados do Atlântico, os últimos anos vêm revelando uma progressão da regulamentação do património cultural no sentido da promoção do desenvolvimento sócio-cultural das populações através da facilitação do acesso generalizado aos bens e serviços culturais.

Sendo este um princípio inquestionável e verdadeiramente estruturante da universalidade do desenvolvimento cultural, a sua aplicação efectiva levanta, porém, questões práticas muito complexas em diferentes sectores de actividade, nomeadamente naqueles em que as fronteiras entre Cultura e Ciência, conhecimento e aplicabilidade, pesquisa e mercado são mais ténues.

Estas questões práticas podem olhar-se pelas perspectivas da difusão cultural, da publicação científica, da regulação dos direitos autorais ou da protecção do valor económico do conhecimento, confrontando-se em, em todos os casos, interesses frequentemente opostos de diferentes agentes (sociais, técnicos, científicos, etc.) produtores/gestores/consumidores do conhecimento criado.

A questão é tanto mais premente quanto na sociedade actual, dita globalizada e “da informação”, o conhecimento constitui mesmo o primeiro e mais relevante factor de criação de valor e de determinação de relações (pessoais, económicas, institucionais, nacionais, …) de poder.

Ora, a Arqueologia, hoje profundamente implicada no mercado do licenciamento ambiental, constitui um caso particularmente evidente desta dificuldade de composição de diferentes interesses sociais, talvez agravado ainda por um conjunto de características particulares deste sector de actividade: o sistemático desligamento entre as comunidades universitárias e operacionais da Arqueologia; a juventude deste sector enquanto actividade económica (e social!) relevante; as dificuldades recorrentes de institucionalização da Arqueologia nas máquinas administrativas dos estados; a incapacidade repetida de auto-regulação enquanto classe profissional; o carácter profundamente multidisciplinar da pesquisa arqueológica; a fluidez da fronteira entre pesquisa fundamental e “Engenharia” arqueológica; e as enormes disparidades de qualificação técnica e metodológica dos profissionais.

A solução, não nos parece estar já ao virar da esquina e, quiçá, a opção pela “ampla divulgação do conhecimento científico” possa ser a forma mais eficaz de proteger a qualidade e competência.



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