O “Poço dos negros” de Lagos



Os resultados dos trabalhos em curso da iDryas no âmbito do projecto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian intitulado O “poço” dos negros de Lagos confirmam a antiguidade do sítio, foram inumadas algumas das primeiras vítimas do tráfico atlântico de escravos.

A equipa da iDryas continua a explorar o registo arqueológico recuperado no sítio do Valle da Gafaria em Lagos, recorrendo para tal ao vasto acervo documental aqui compilado.

Este projecto O “Poço dos Negros” de Lagos: contributo para a compreensão do tratamento funerário dos escravos africanos nos sécs. XV e XVI visa a análise da informação produzida durante os trabalhos de escavação, abrangendo as análises arqueoestratigráfica, aqueotanatológica, paleobiológica, genética e radiométrica, e cujos resultados serão integrados no Sistema de Informação Geoarqueológica do sítio, com o objectivo de estudar em detalhe o tratamento funerário reservado aos cativos nos inícios da expansão portuguesa.

Os resultados até agora obtidos atestam a antiguidade da Lixeira e, por conseguinte, da prática de abandonar entre os desperdícios da urbe os cadáveres dos escravos recém-aportados.

Com efeito, a exploração aturada deste registo, que inclui entre outros vestígios milhares de itens cerâmicos, vítreos e metálicos, tem vindo a permitir demonstar a antiguidade da lixeira moderna de Lagos, balizando a sua constituição e utilização entre os sécs. XV e XVI.

Assim, terá sido na segunda metade do séc. XV que os habitantes de Lagos, começaram a utilizar uma ampla depressão cársica situada imediatamente fora das portas da cidade para aqui abandonarem os desperdícios urbanos da urbe. Entre estes desperdícios contam-se os cadáveres de mais de centena e meia de africanos, escravizados no decurso das viagens à costa africana empreendidas pelos navegadores e comerciantes portugueses.



Arquivo de Notícias