Mestrado em ancestralidade



As características morfológicas que permitem reconhecer afinidades populacionais estão a ser estudadas nos esqueletos dos escravos africanos, recuperados do antigo Valle da Gafaria de Lagos.

No âmbito da sua dissertação de Mestrado em Evolução e Biologia Humanas, Catarina Coelho está a estudar as afinidades populacionais dos esqueletos dos escravos africanos que foram escavados, em 2009, no antigo Valle da Gafaria, em Lagos.

Desde cedo na história da Antropologia que aceder à ancestralidade de um indivíduo é uma questão basilar. A ancestralidade ou afinidade populacional, a par com a estimativa da idade à morte, da diagnose sexual e da estatura, é um dos parâmetros básicos para estabelecer o perfil biológico do indivíduo, e é essencial para a posterior análise paleodemográfica.

Os métodos geralmente utilizados para estimar a ancestralidade a partir do esqueleto, normalmente concentrados no crânio, têm vindo a ser desenvolvidos em colecções identificadas com indivíduos que viveram durante o século passado, na sua maioria afro-americanos. Importa avaliar se estas metodologias podem também ser aplicadas com acuidade a populações africanas antigas.

Para este projecto de Mestrado, várias peças ósseas dos indivíduos negróides adultos estão a ser alvo de uma análise métrica e morfológica. Neste estudo recorre-se não só aos métodos morfológicos clássicos desenvolvidos para o crânio como também às novas tecnologias, usando o programa FORDISC para uma abordagem métrica. A pesquisa é ainda complementada pela análise métrica ao fémur e outra morfológica aplicada aocalcâneo.

Neste momento, realiza-se uma nova medição dos crânios para o cálculo dos erros intra e inter-observador, essenciais à validação de cada medida.



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