Lançamento da Al-Madan #17



Decorreu em Almada o lançamento do #17 da revista Al-Madan, que inclui a publicação do artigo “Esqueletos ou cadáveres”, resultado de um trabalho multidisciplinar de cariz metodológico na área da Bioantropologia conduzido pela iDryas.

Centro de Arqueologia de Almada promoveu no dia 21 de Julho, na Casa da Cerca, o lançamento do nº 17 da revista Al-Madan, numa sessão pública que também serviu para comemorar os 40 anos de actividade do Centro.

Ao longo das últimas décadas, este título ganhou a pulso de qualidade e equilíbrio uma posição ímpar no panorama da edição científica portuguesa, constituindo-se hoje numa verdadeira instituição da nossa Arqueologia, respeitado e seguido e, cumpre dizê-lo, avidamente esperado em cada um dos seus números, por todos. O lançamento deste número serviu também de oportunidade para uma apresentação de Amílcar Guerra reflectindo precisamente sobre o percurso e história das opções editoriais da revista desde o início da sua publicação regular.

Neste número #17, a Al-Madan preserva o essencial da sua organização temática, mas surge renovada no figurino gráfico, com um arranjo que reproduz na imagem a qualidade e sobriedade da linha editorial que determina o conteúdo científico da revista.

Estivemos presentes no lançamento, não apenas porque a persistência e impacto do trabalho da equipa editorial da revista o justificam largamente, mas também em simples representação do artigo publicado pela equipa Dryas nestes número, de resto, na sequência de uma colaboração que se tornou nos números mais recentes da revista muito regular:

-Neves MJ, Ferreira MF, Almeida M, Pinheiro J. 2012 A importância dos processos de decomposição cadavérica para a interpretação do registo osteoarqueológico. Al-Madan, IIª série, nº17. 2012: 30-37.
-Mónica Corga, Maria Teresa Ferreira, Maria João Neves, Miguel Almeida. História da dinâmica urbana da zona ribeirinha de Faro, dados de uma intervenção de Arqueologia preventiva nos edifícios da Santa Casa da Misericórdia. Al-Madan. IIª série, nº16. 2009: 52-58.
-Miguel Almeida., Susana Nunes, Maria João Neves, Maria Teresa Ferreira. Estruturas Negativas da Pré-História Recente e Proto-História Peninsulares: estado dos conhecimentos e interrogações. Al-Madan. IIª série, nº16. (adenda electrónica).
-Maria João Neves, Lília Basílio, Maria Teresa Ferreira. O futuro dez anos depois. Al-Madan. IIª série, nº16. 2008: 65-69.
-Maria Teresa Ferreira, Maria João Neves, Miguel Almeida, Lília Basílio, Eugénia Cunha. CAB, um projecto pluridisciplinar. Al-Madan. IIª série, nº16: 155 (e adenda electrónica).
-Maria João Neves, Maria Teresa Ferreira, Eugénia Cunha e Miguel Almeida. IIº Curso de Antropologia Biológica: Abordagem pluridisciplinar da Arqueologia da morte. Al-Madan. II Série, nº 15. 2007: 152.
-Susana Nunes, Mónica Corga, Lília Basílio, Maria Teresa Ferreira, Rui Couto, Miguel Almeida e Maria João Neves. Primeira notícia acerca das fossas escavadas na rocha do Casarão da Mesquita 4 (S. Manços, Évora). Al-Madan on line – 2008.
-Miguel Almeida e Maria João Neves. Arqueologia Low cost: fatalidade nacional ou opção de classe? O modelo empresarial” Al-madan. Nº 14. II Série. 2007: 86-91.
-Maria João Neves, Maria Teresa Ferreira e Eugénia Cunha. I Curso de Antropologia Biológica: Iniciação à antropologia para arqueólogos. Al-Madan. Nº 14. II Série. 2007: 139.
-Maria João Neves, Miguel Almeida, Lília Basílio, Gina Dias, Maria Teresa Ferreira e Filipe Gonçalves. Casa do Mosteiro (Celas, Coimbra): muitas dúvidas e metade da sua história. Al-Madan. Nº 14. II Série. 2007: 38-47.

Neste #17, publicamos o artº ”Esqueletos ou Cadáveres? A compreensão dos processos de decomposição cadavérica”, da autoria de Maria João Neves, Teresa Ferreira, João Pinheiro e Miguel Almeida. Este artigo consiste num contributo metodológico, que pretende alertar para a necessidade de consideração dos processos de degradação cadavérica na interpretação de registos arqueológicos marcados pela presença de vestígios osteoarqueológicos humanos.

Com efeito, a relação com o mundo dos mortos e, de um modo muito directo, ao tratamento (social e individual) dos mortos consiste frequentemente num conjunto de práticas muito codificadas que, por esse carácter intencional, pela sua relevância no todo social e pela sua representação no registo arqueológico, tem sido utilizado pelos arqueólogos como um proxy privilegiado para a compreensão das sociedades do passado.

Porém, por insuficiências teóricas, processuais e, por vezes, de verdadeira multidisciplinaridade, estas interpretações fazem-se por vezes sem a garantia de um protocolo metodológico de recuperação e interpretação de baixo nível da informação capaz de fornecer dados fiáveis à reflexão subsequente sobre os processos históricos.

Este artigo, assinado por uma equipa multidisciplinar (com especialistas de Arqueologia, Bioantropologia, Antropologia forense e Medicina legal), visa precisamente chamar a atenção para a evidência da necessidade de compreensão dos processos de degradação dos cadáveres, processos que, evidentemente, produzem um impacto directo e muito significativo sobre a forma como os esqueletos (últimos vestígios do cadáver) chegam até nós no registo arqueológico. Na medida em que este registo consiste no único documento de que dispomos para interpretar os eventos que estudamos, e que a degradação cadavérica ocorre entre esses eventos e o registo de que dispomos, descuidar o conhecimento e reconstituição caso-a-caso das características dessa degradação reduz profundamente qualquer compreensão dos eventos estudados.



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