Gafaria de Lagos



Foram apresentados na última edição do “19th European Meeting of the Paleopathology Association” os resultados do estudo dos onze indivíduos associados à gafaria moderna de Lagos, identificados no âmbito da escavação do Valle da Gafaria / Anel Verde.

Em 2009, a intervenção arqueológica realizada pela Dryas no Valle da Gafaria, em Lagos, possibilitou não só a identificação duma vasta lixeira onde foram depositados mais de centena e meio de escravos africanos, mas também a escavação de parte da antiga gafaria da cidade.

Os vestígios relacionados com a gafaria incluíam para além de três edifícios divididos em pequenos compartimentos rectangulares (rebocados e pavimentadas com cal) uma área de necrópole que lhe estava associada.

Aí foram exumados onze indivíduos, enterrados directamente na terra, em posições e orientações discordantes dos cânones cristãos vigentes no Portugal Moderno. Entre os inumados contavam-se homens e mulheres com diversas lesões ósseas, cujo estudo paleopatológico foi agora apresentado em Lille.

Este estudo, iniciado já em campo, contou com a estreita colaboração entre investigadores da iDryas e do Departamento de Ciências da Vida da U.C./ CIAS – Centro de Investigação em Antropologia e Saúde.

Os resultados obtidos confirmam a existência de lesões compatíveis com a presença delepra em pelo menos dois indivíduos, a par da existência de outras doenças, ainda pouco representadas no registo osteo-arqueológico português, nomeadamente a sifílis e abrucelose.

A presença de indivíduos que sofriam de outras enfermidades, que não exclusivamente a doença de Hansen, tem vindo a ser reconhecida um pouco por toda a Europa noutras gafarias, acentuando-se assim a percepção de que estes hospitais acolhiam não só “gafos”, mas também indivíduos com outras doenças físicamente marcantes e incapacitantes.



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