Da diáspora à criação artística



Em 2009, a escavação do Valle da Gafaria em Lagos permitiu-nos documentar o tratamento dado aos escravos africanos em Portugal no dealbar da Modernidade. Hoje, este trabalho dá lugar ao ROOTS, um projecto de criação artística contemporânea.

Partindo dos vestígios que materializam as histórias de vida e o tratamento mortuário dado aos africanos aportados a Lagos a partir do séc. XV, que no sítio do Valle da Gafaria foram identificados e escavados pela Dryas, o Lac – Laboratório de actividades criativas – deu corpo e alma ao projecto de residência artística Roots (LINK).

O projecto Roots parte duma visão contemporânea sobre a diáspora africana criando novas rotas e fluxos transculturais, através da reflexão da diversidade cultural dos lugares envolvidos no tráfico e das suas influências na criação de uma miscigenação global e plural, questionando e identificando as raízes desse processo. Roots remete-nos duplamente para o significado original da palavra: invoca os indíviduos subtraídos de forma violenta aos seus grupos e às suas raízes ancestrais; e, em simultâneo, as raízes que foram sendo criadas nas diferentes geografias para onde foram levados.

Este projecto será desenvolvido durante 5 anos, envolvendo 5 países e 25 artistas. Para o ano de 2011, Lagos será a cidade anfitriã, sendo o ponto de partida para a criação de uma residência artística de 15 dias de 5 artistas com o desenvolvimento de obras individuais ou colectivas, que culminará com a apresentação pública dos seus trabalhos no Forte Pau da Bandeira, Lagos, em Novembro de 2011.

Este projecto inclui ainda Conexões Roots, um encontro informal pensado para discutir as várias visões que se têm da escravatura, quer na sua matriz histórica onde se articula no conhecimento levantado pelos estudos arqueológicos mais recentes, quer nas conexões estabelecidas por alguns intervenientes na contemporaneidade. A Dryas participará nas Conexões Roots no dia 5 de Novembro, um dia com um programa cheio de actividades, que para além das conversas inclui uma visita ao Mercado de escravos e a troca de experiências alimentares.

A National Geographic Portugal também já comentou esta notícia - LINK



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