Craniometria digital



As tecnologia actual de modelização digital permite hoje propor uma abordagem inovadora da craniometria, substituindo os procedimentos tradicionais por uma análise métrica digital das peças esqueléticas.

No decorrer da investigação desenvolvida no âmbito duma dissertação de mestrado (Coelho, 2013), cujo tema era a ancestralidade, um dos parâmetros do perfil biológico, dos esqueletos duma colecção de escravos (PAVd’09), várias questões ficaram sem resposta. Isto porque os métodos da craniometria tradicional são insuficientes para solucionar estas novas questões. Além disso, sentimos também dificuldades relacionadas com a obtenção de certas medidas, bem como na análise antropométrica dos espécimes fragmentados. De facto, a fragmentação dos vestígios osteológicos tem vindo a ser um grande constrangimento à aplicação das metodologias tradicionais em geral, e não apenas no nosso estudo, em particular.

Foi este o ponto de partida para o projecto 3DCm’13, que tem por base a digitalização 3D com luz estruturada dos crânios analisados para supracitada dissertação de mestrado, e também dos espécimes que por razões de preservação não foram previamente estudados. Em simultâneo, está a ser desenvolvido um software por investigadores daUniversidade de Aveiro, que permitirá além da visualização dos crânios, a recolha das medidas realizadas na craniometria tradicional mas também outras impossíveis de retirar no espécime por impedimentos anatómicos ou de fragmentação. Igualmente, esperamos conseguir avaliar as formas e perfis de cada crânio, informação a que só a tecnologia avançada permite aceder.

Após a digitalização dos espécimes completos, começamos agora a digitalização 3D dos crânios fragmentados. O software, apesar de ainda em desenvolvimento, já permite visualizações e a marcação de pontos cranianos, estudando-se neste momento as questões de alinhamento.

Este projecto trará novas e mais eficazes técnicas de Craniometria que contribuíram para a resolução de antigas questões mas também para o desenvolvimento de novas abordagens no âmbito da Antropologia física, não só no estudo das populações do passado, como também nas ciências forenses.



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