Artigo Lepra



A investigação antropológica dos esqueletos exumados da necrópole da Gafaria de Lagos foi publicada.

Três antropólogas do iDryas-GAPlab publicaram um artigo acerca de esqueletos exumados da necrópole da Gafaria de Lagos (sécs. XV-XVII), pela Dryas em 2009, com lesões ósseas distintas da lepra. Maria Teresa Ferreira e Maria João Neves do Grupo Dryas Octopetala e Sofia Wasterlain do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC foram as autoras do artigo “Lagos leprosarium (Portugal): evidences of disease” recentemente publicado no Journal of Archaeological Science (link).

A necrópole da Gafaria de Lagos encontrou-se um pouco apartada do hospital. No entanto, a caracterização contextual, arqueotanatológica e bioantropológica dos onze enterramentos identificados permitiu a sua associação à leprosaria.

Dois esqueletos mostram lesões típicas da lepra (lepromatosa e tuberculóide), enquanto outros exibem lesões indicativas de patologias distintas. Na publicação discute-se o seu diagnóstico diferencial. Este também é apresentado para outros três esqueletos, dois dos quais sofreram de outras doenças infecciosas, que não a lepra, cujas análises, macroscópica e radiológica, detectaram lesões osteolíticas compatíveis com diagnósticos de brucelose, num caso, e sífilis, noutro caso. O terceiro caso reporta-se a um indivíduo com lesões no fémur direito compatíveis com a doença de Legg-Calvé-Perthes.

Estes casos são particularmente relevantes ao corroborarem as fontes históricas que sugerem que outros enfermos, para além dos sofredores de lepra, seriam acolhidos nas gafarias, e também por acrescentar casos patológicos, um de brucelose, um de sífilis e outro de Legg-Calvé-Perthes, aos raros até agora identificados em material osteoarqueológico português.



Arquivo de Notícias