Musealização das muralhas do Castelo de Soure



A Dryas participa no projecto de criação do Centro interpretativo do espaço muralhado de Soure, enquadrado numa nova rede de equipamentos culturais, centrada sobre o papel histórico das estruturas defensivas de Coimbra em época medieval.

No âmbito desta rede Rede urbana dos castelos e muralhas medievais do Mondego, a Dryas participa no projecto promovido pela Câmara Municipal de Soure, que visa a construção de um centro capaz de conservar, promover o estudo e divulgar a memória física dos momentos históricos relacionados com a defesa da linha de Coimbra, durante os séc. XI e XII.

Intimamente associados ao Castelo de Soure, um ponto fulcral da defesa da linha de Coimbra no momento da consolidação da Nacionalidade, foram escavados diversos vestígios arqueológicos reveladores da imensa riqueza patrimonial de toda esta área. Entre os primeiros vestígios a serem postos a descoberto, em duas intervenções do IPPC dirigidas por Maria Conceição Lopes e Artur Côrte-Real, contam-se as fundações de uma antiga igreja, a de Nossa Senhora de Finisterra, localizada no que eram no séc. XII os confins das terras cristãs.

Em 2003, e na sequência de uma intervenção de arqueologia preventiva da Dryas Arqueologia, intervenção motivada pelo projecto de construção de uma piscina coberta numa zona imediatamente contígua a aquela em que tinham sido realizadas as escavações nos anos 80, identificaram-se novos vestígios, dando conta do relevo arqueológico e patrimonial de toda esta área. Foi colocado em evidência um conjunto de estruturas habitacionais de época moderna adossadas à muralha entretanto revelada, uma parte significativa da necrópole medieval e moderna de Nossa Sra. de Finisterra, e novas estruturas defensivas medievais que testemunham de forma inequívoca e pela primeira vez, a fundação cristã deste reduto fortificado e a consecutiva reformulação do espaço muralhado ao longo da Idade Média.

De forma a possibilitar a fruição deste conjunto patrimonial foi desenvolvido no âmbito da Rede Urbana dos Castelos e Muralhas Medievais do Mondego – financiada pelo QREN / MAIS CENTRO – um projecto dedicado à implementação de estruturas museográficas em Soure. Este projecto visa não só criar as condições necessárias à visita e fruição de um conjunto muito variado de vestígios – desde aqueles que se encontram nas áreas escavadas pela Dryas, aos vestígios da Igreja de Nossa Sra. de Finisterra e ao próprio Castelo, um dos poucos castelos proto-românicos portugueses – mas também desenvolver um pólo patrimonial e científico dedicado ao estudo arqueológico dos alvores da Nacionalidade.

Este centro interpretativo deverá funcionar como plataforma de explicação dos conjuntos histórico-arqueológicos visitáveis, sendo cumulativamente, um centro nevrálgico para o desenvolvimento de actividades lúdicas e pedagógicas a executar no quadro de parcerias com as escolas da região (adaptando as acções e conteúdos aos diversos graus de ensino). Prevê-se ainda a construção de uma nova edificação intimamente articulada com o troço de muralha aqui existente, dando de novo forma ao Largo do Castelo, recuperando as formas e volumes que aqui existiram desde o séc. XII e que se perpetuaram até ao último quartel do séc. XX. 



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