Largo de Santa Maria



Uma primeira fase de trabalhos sobre o registo arqueológico recuperado na intervenção no Largo de Santa Maria permitiu compilar uma diversidade de informações inéditas relativamente a este espaço central da dinâmica urbana da “vila velha”, constituindo uma oportunidade para colmatar as lacunas do registo histórico.

Espaço público por vocação, o largo da Igreja de Santa Maria cumpriu também a suafunção sepulcral. Apesar de fortemente truncado por sucessivas reformas posteriores, este cemitério preserva, ainda diversos níveis de enterramentos.

Durante a intervenção Dryas foram escavadas 37 inumações de indivíduos de diferentes grupos etários, cuja distribuição espacial parece obedecer, na maioria dos casos, a uma organização em bandas com orientação sensivelmente Noroeste-Sudeste. Em todas as inumações os indivíduos foram colocados directamente num covacho aberto na terra, em decúbito dorsal. Depositados sem caixão, os mortos eram acompanhados porornamentos de cariz religioso (contas em osso, vidro, madeira e medalhas em metal) e numismas que, apenas em raros casos, preservaram a integridade morfológica.

As características do ritual sepulcral, espólio arqueológico e a posição estratigráfica da necrópole autorizam um enquadramento da necrópole no século XVII-XVIII.

Anteriores ao cemitério foram escavadas estruturas pétreas, cuja localização, orientação e técnicas construtivas mostram uma lógica diferente na gestão do espaço - espacial e funcional, evidenciando a reconfiguração do largo ao longo do tempo.

A continuação de trabalhos sobre este registo permitirá, no futuro, fornecer dados adicionais para a compreensão da evolução urbana da “vila velha” de Serpa e para o conhecimento das populações que a habitaram. 



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