Estudo dos gafos de Lagos



Decorrem presentemente os trabalhos de tratamento e estudo laboratorial da colecção de indivíduos provenientes da Gafaria de Lagos. Os resultados destes trabalhos serão apresentados no fim do Verão em congressos da especialidade.

Em 2009, a construção de um parque de estacionamento subterrâneo na zona imediatamente extra-muros de Lagos, no Valle da Gafaria, motivou uma intervenção arqueológica promovida pela FuturLagos e realizada pela Dryas. Esta intervenção viria a proporcionar a escavação de uma parte significativa da antiga gafaria da cidade, tendo-se escavado três edifícios divididos em pequenos compartimentos rectangulares rebocados e pavimentadas com cal.

A mesma intervenção também permitiria a identificação e escavação integral da parte preservada de uma área de necrópole, da qual foram recuperados 13 indivíduos, os quais haviam sido enterrados directamente na terra, em posições e orientações discordantes dos cânones cristãos vigentes no Portugal Moderno. Entre os inumados contavam-se homens e mulheres, incluindo-se adultos de várias classes etárias e uma criança. Estes indivíduos exibiam lesões ósseas compatíveis com o diagnóstico de Hansen, incluindo pelo menos um caso de lesões discriminantes de uma das formas mais mutilantes de Lepra – a lepra lepromatosa.

Identificadas, documentadas e preliminarmente descritas ainda durante a fase de terreno da intervenção estas lesões ósseas, iniciámos posteriormente os trabalhos de tratamento laboratorial e estudo paleopatológico destes esqueletos em parceria com docentes e estudantes do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra. Este trabalho de análise laboratorial iniciou-se pelo estudo pormenorizado da patologia oral destes indivíduos, já realizado e objecto de diversas publicações internacionais, dando-se agora seguimento ao trabalho realizado sobre os restos odontológicos com o estudo, em curso, do restante material osteoarqueológico. Mais uma vez, este estudo decorre em parceria com o Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, aproveitando-se o ensejo para prosseguir também objectivos de formação científica especializada, nomeadamente através da integração de alunos de Antropologia física daquele departamento na equipa de investigação que está a trabalhar sobre o sítio.

Os resultados destes trabalhos serão apresentados ainda em 2011, no âmbito de dois congressos internacionais de Paleopatologia, a decorrer em Andorra e no Perú. 



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