Circuito de São Matias



A Dryas concluiu recentemente os trabalhos de minimização de impactes sobre o património cultural decorrentes da execução do Circuito Hidráulico de São Matias e respectivos blocos de rega (fase de obra).

Circuito Hidráulico de São Matias, que beneficia uma área de cerca 5.800 hectares, localiza-se no distrito de Beja, concelhos de Vidigueira (freguesia de Selmes) e Beja (freguesias de Nossa Sra. das Neves, Baleizão, Santa Maria da Feira [Beja], Santiago Maior [Beja], São Brissos e São Matias).
 Este projecto inclui um conjunto de infraestruturas onde se insere a construção da rede primária (duas estações elevatórias, uma barragem, um reservatório), cerca de 8 km de adutores primários, cerca de 59 km de condutas, cerca de 12 km de rede viária e cerca de 35 km de linhas de água a intervencionar (rede de drenagem).

Eram objectivos fundamentais da intervenção a avaliação do potencial arqueo-estratigráfico do local e a minimização de quaisquer impactos negativos sobre o património arqueológico em contexto de obra, em ocorrências directamente afectadas pela implementação das infra-estruturas a construir.

Dos múltiplos sítios intervencionados pelas equipas da Dryas entre Outubro de 2014 e Julho de 2015 ao abrigo deste projecto, merecem sem dúvida especial relevo os resultados obtidos no sítios:

- Quinta da Saúde 3: onde foram intervencionados dois fornos de cozedura de cerâmica de construção de cronologia de moderna/contemporânea e um conjunto de 26 estruturas negativas delimitadas por dois fossos (a nascente e poente), enquadráveis cronologicamente na Idade do BronzeIdade do Ferro e Época Romana;

- Monte do Miranda de Cima 2: onde foi intervecionada uma conduta (e a respectiva caixa de visita) de cronologia romana, em bom estado de preservação, com as paredes construídas com recurso a pedra miúda e later agregados por argamassa de cal e areia, a tampa de cobertura em later e a base construída em opus signinum; e

- Esfola: onde foram internvencionadas duas áreas cronologicamente distintas – uma enquadrável em época romana / tardo-romana e outra enquadrável na Idade do Ferro. Dos vestígios de cronologia romana e tardo-romana destaca-se a identificação de cinco sepulturas de cronologia tardo-romana, escavadas no substrato rochoso com cobertura em later e tegulae, duas estruturas em pedra seca, várias estruturas em pedra de xisto agregadas por argamassa de terra que desenham a planta de dois compartimentos de funcionalidade indeterminada, e quatro estruturas em pedra de xisto agregadas por argamassa de cal e areia que desenham um compartimento de provável cronologia romana/moderna (?). Dos vestígios da Idade do Ferro foram escavados integralmente dois  e parcialmente um terceiro recintos funerários (espaços quadrangulares e subrectangulares, adossados entre si, incluindo no interior do recinto uma sepultura e uma sepultura no eixo nordeste), várias estruturas negativas que cortam os recintos 1 e 2 a nascente, e mais cinco sepulturas, cobertas com grande quantidade de pedras, localizadas já fora dos recintos.



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