Águas de Coimbra



Ao abrigo do protocolo estabelecido desde 2006 entre a empresa Águas de Coimbra, E.E.M, e a Dryas Arqueologia realizou-se mais um trabalho de acompanhamento arqueológico de abertura de vala, tendo-se identificado um troço de uma conduta eventualmente relacionada com a galeria de Sá da Bandeira .

A referida empreitada desenvolveu-se em plena Alta, na convergência da Rua Lourenço de Almeida Azevedo e a Praça da República e foi realizada entre os dias 22 de Fevereiro e 1 de Março (fig. 1). O objectivo era a instalação de um ramal de saneamento no edifício sito na referida artéria, nº4.

O início dos trabalhos de abertura mecânica de vala revelaram uma estratificação desprovida de interesse arqueológico, baseada em depósitos e infra-estruturas recentes, raízes e substrato rochoso (fig. 2). Porém, na secção final da vala, na ligação projectada deste ramal com o colector de saneamento, identificou-se um troço de uma conduta abobadada, aparentemente de dimensão assinalável, e um pequeno ramal conectado a esta galeria (fig. 3).

Após comunicação imediata da identificação desta estrutura às entidades responsáveis, deslocou-se ao local o dr. Paulo César, da DRCC, tendo ficado acordado com as equipas de acompanhamento arqueológico e de engenharia das Águas de Coimbra uma alteração ao traçado inicial deste ramal, visando a não afectação desta conduta.

A análise dos dados disponíveis sobre o complexo sistema de distribuição de águas na cidade de Coimbra (veja-se, a este propósito, o trabalho realizado pela Dryas em 2005: “Sistema de Galerias Subterrâneas de Coimbra”, dirigido por Miguel Almeida e Filipe Gonçalves) permite apontar que a conduta agora identificada poderá estar relacionada com a galeria de Sá da Bandeira que segue o trajecto Jardim da Sereia – Praça da República – Avenida Sá da Bandeira. Esta galeria é ponto de chegada de diversas condutas afluentes de menores dimensões que reúnem as águas pluviais (? – e saneamento?) de ambas as vertentes do vale da Ribela (…) que assim desempenha o papel de colector central de um sistema complexo e ramificado de condutas (Almeida e Gonçalves, 2005).

Na figura 4 encontra-se assinalado a tracejado vermelho o troço agora identificado, sendo possível constatar que o mesmo projecta-se para sudoeste em direcção à galeria de Sá da Bandeira (a amarelo).



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