Águas de Coimbra



Ao abrigo de um protocolo de intervenção especificamente criado para o efeito, a Dryas tem realizado, desde 2006, o acompanhamento arqueológico de intervenções de emergência da empresa Águas de Coimbra em áreas de potencial arqueológico da cidade.

Dado o carácter não programado e urgente das intervenções de reparação de roturas e execução de ramais a que a Águas de Coimbra, EM tem que acorrer, o cumprimento das normas legais relativas à preservação do património histórico-arqueológico, nomeadamente na zona histórica de Coimbra, exige a implementação de metodologias particularmente eficazes de articulação entre a equipa de Arqueologia e as equipas técnicas responsáveis pela execução daqueles trabalhos de Engenharia.

Para concretizar este objectivo, a Dryas e a Águas de Coimbra desenvolveram umprotocolo estratégico de articulação que estabelece metodologias de trabalho, comunicação e circulação da informação relativa às empreitadas e intervenções de Arqueologia executadas. 

A implementação sistemática destes procedimentos tem garantido à Águas de Coimbra executar aquelas tarefas em tempo útil e no respeito das medidas de minimização de impacto e salvaguarda patrimonial adequadas.

Em termos patrimoniais estes trabalhos têm permitido realizar observações estratigráficas em diferentes pontos da cidade, resultando num conhecimento progressivo e mais concreto do potencial arqueológico deste território.

Das múltiplas intervenções realizadas ao abrigo desta longa colaboração, merecem sem dúvida especial relevo os resultados obtidos:

- na zona da Baixinha de Coimbra, onde se registaram vestígios de estruturas arqueológicas diversas (edifícios pré-existentes, poços, calçadas, condutas de água, etc), normalmente colmatados por potentes depósitos que integram numerosos fragmentos de faiança e chacota: despejos das antigas unidades de produção da cidade, que ocuparam parte significativa deste espaço entre os séculos XVI e XIX; e

- na zona da Alta, onde são frequentes as intervenções que permitem o registo de estruturas de condução de águas de morfologia diversa – algumas das quais ainda activas. De difícil atribuição cronológica, a profusão de troços registados sugere que nem todas sejam cronologicamente coevas, relacionando-se antes com diferentes momentos de infra-estruturação antiga do espaço urbano em crescimento.

Sendo conhecida da historiografia da cidade a complexidade dos sistemas de abastecimento antigos de água, desde a época romana até à época contemporânea, o trabalho desenvolvido tem constituído uma oportunidade para registar estas realidades, cuja presença evidencia e reforça o potencial arqueológico do subsolo de Coimbra



Arquivo de Notícias